Os candidatados do PSD e do Chega, tiveram uma derrota clara na primeira volta. Face ao crescimento da Iniciativa Liberal, este resultado significa que está aberta uma crise existencial no PSD. O Chega já lhe retirara uma ala direita.
Quanto ao Chega, parafraseando uma frase de Mourinho, que foi mal aplicada ao desporto, mas é adecuada à política, foi o primeiro dos últimos. E, ao contrário do que afirma o seu porta-voz, é a terceira vez que perde votos, neste caso, em duas eleições sucessivas: perdeu 900.000 nas europeias, recuperou nas legislativas, mas voltou a perder 800.000 votos nas autárquicas. Nestas presidenciais, o Chega perdeu 110.000 votos, em comparação com as legislativas, mas recuperou 650.000, face às autárquicas.
Há uma outra lição histórica nestas eleições: quando os dirigentes políticos democráticos constroem uma plataforma de defesa dos direitos populares e soberanos de Portugal, mesmo com uma base mínima de entendimento_ tal foi o caso do acordo parlamentar PS/PCP/BE, contra a deriva autoritária da direita e da União Europeia, a maioria parlamentar e o governo saído das eleições é progressista, e o autoritarismo recua. Quando os lideres falham nessa visão estratégica e protetora da nação e da democracia, os eleitores deslocam o seu voto contra o perigo principal e não o contrário, como julgavam os dirigentes, enganados pelo canto das sereias que explicavam a queda do PCP e do BE, por essa razão, sem ouvir a vox populi.
Mas o fascismo triunfou no passado pela repetição desses erros e não poupou, nem os democratas, nem os liberais. E hoje, a conciliação, as cedências e a cumplicidade da União Europeia com a política do governo de Trump, colocou a Europa de joelhos e deixou as forças democráticas que ainda resistem nos EUA, na ONU, nos BRICS alargados...a lutar sozinhos.