O governo dos EUA afirma que quem se opuser aos seus interesses, será vítima de agressão militar e insulta o seu antecessor por não ter recorrido suficientemente à barbárie. O sequestro do presidente venezuelano, com o rapto da sua mulher, é um ato de guerra que viola não só o direito internacional mas a própria constituição americana, sobrepondo -se à autoridade do Congresso.
O secretário de estado fala em nome de uma oligarquia para quem Trump é apenas um velho figurante e já como pretendente a encabeçar o novo Reich. Corine Machado comemorou a destituição de Maduro, mas é desprezada por Trump. Maria Corina Machado, suposta líder da oposição, apoiou o candidato da oposição à presidência em 2024, Edmundo González Urrutia. Mas Donald Trump afirmou que a ganhadora do Prêmio Nobel não tem "apoio nem respeito" no seu país e que são os EUA que vão governar a Venezuela, em proveito das companhias americanas do petróleo, acrescentando que as forças americanas estão prontas para realizar uma segunda onda de ataques, "muito maior".
Que respondem a esta legitimidade os governos e políticos do ocidente ao oriente, a União Europeia e o mundo? Eis a questão!
A reação de silêncio, de apoio e cumplicidade da União Europeia e da generalidade dos políticos e governos liberais, não pode deixar de chamar à memória a ascensão do fascismo e militarismo alemão e japonês, que conduziu à II Guerra Mundial, com a diferença que as armas nucleares, químicas e biológicas de destruição massiva, ainda não estavam ao alcance dos tiranos. Em 1931, o exército japonês invadiu o leste da China e criou o estado fantoche da Manchúria, uma região que continha as matérias-primas das indústrias de guerra, principalmente o petróleo. Em 1936, os exércitos fascistas de Itália e da Alemanha, intervieram na Espanha em apoio do levantamento militar contra a República, depois ocuparam a Áustria, a Checoslováquia, mas também a Etiópia...
Atualmente e de acordo com a Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump, que vem na continuidade do governo Biden, os EUA interferiram e manipularam as eleições na Argentina, no Chile e na Bolívia. o triângulo do Lítio, como o fizeram antes no Afeganistão ( que poderia ter sido a Arábia Saudita o Lítio, segundo o Pentágono), e, pela mesma razão, a cobiça das terras raras, nomearam recentemente um "governador" para a Gronelândia.
Em nome do combate à influência da China e da Russia, manipularam as eleições nas Honduras, pressionaram o Panamá, ameaçam a Colômbia, o México, a Nicaragua e Cuba...
O governo trabalhista do Reino Unido, já veio pronunciar-se em favor da partilha dos despojos da Venezuela, a BP a guiar a mão negra da terceira via "socialista".
O povo venezuelano tem agora a última palavra, e os 600.000 portugueses e descendentes, correm o risco de ver as suas vidas desfeitas por uma intervenção militar estrangeira e uma guerra civil mercenária, e o seu país de origem, de ver retornar uma nova vaga de refugiados. Uma vez mais como consequência de um conflito militar que podia e devia ser evitado, agora pela posse do petróleo pelo imperialismo yank.
O povo venezuelano dispõe ainda de uma arma estratégica, para se defender: os EUA necessitam do crude venezuelano, porque o seu petróleo de xisto, extraído à custa de tremendos impactos ambientais, é demasiado fino para ser refinado, precisa de ser loteado.
Assassinar ou sequestrar um líder que não serve os seus interesses, está ao alcance da barbárie militar, subjugar um povo, sem contar com a traição das elites nacionais, tem custado aos militares americanos sangue e luto , inúteis e insuportáveis.
O povo dos EUA, tem agora a palavra final.
Como um rebanho de sonâmbulos, os burocratas de Bruxelas deixam-se conduzir, entre vivas e morras, farsas e tragicomédias, para o açougue da guerra e a queda da Europa!
Portugal, a sua nação repartida pelas quatro partidas do mundo, necessita mais do que nunca, de um presidente que recuse enviar os seus militares para servir de carne para canhão da NATO americana_ a NATO foi criada como organização defensiva e nada obriga no seu estatuto a levar a guerra onde os interesses dos oligarcas americanos e europeus estão em causa e uma União Europeia militarizada, que não foi criada sobre qualquer pacto militar.
Portugal tem na aliança com os países de língua portuguesa, o seu espaço político para um futuro comum de desenvolvimento sustentável, para enfrentar a queda da Europa e recusar o confronto militar entre as grandes potências atuais, que só a República Popular da China recusa, na sua Estratégia de Segurança e Defesa Nacional, construída segundo os 5 princípios da coexistência pacífica e o princípio da segurança indivisível.

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