15.1.26

5. O Irão e as Presidenciais

"...Um candidato do PS, que ocupa a mesma trincheira do almirante e última da democracia abrilista, a defesa da nossa Constituição, com a diferença que o socialismo democrático é incapaz de definir um caminho autónomo para a queda da Europa, e abandonou o projeto de uma nova Europa, construída pelo Federalismo Democrático. Pelo que o risco de este partido trair o seu candidato eleito, em matéria de subversão da Constituição, na prática política e depois no quadro parlamentar, é real."

Há cinco dias que cessaram no Irão os protestos contra a carestia, que tem como causa principal as sanções aplicadas à sua economia pelos EUA e aliados. Tal como os motins violentos que foram alimentados por agentes de Israel_ os iranianos não queimam as suas mesquitas e bazares, provocando um número indeterminado de mortos, mas que incluem membros das forças de segurança abatidos com armas de fogo. 
Entretanto, nas nossas televisões continuam a ser noticiadas mortes de centenas, ou milhares, ou mesmo dezenas de milhar de manifestantes, citando obscuras fontes de associações de direitos humanos, ilustradas por vídeos e depoimentos mal definidos ou mesmo imagens da televisão iraniana, que denunciam atos violentos e mostram as suas vítimas, manipulados a ocidente como se fossem o resultado da repressão.

Outras manifestações gigantes encheram as ruas e praças do Irão, contra a ingerência estrangeira, queimando panfletos onde a imagem do filho do Xá apela ao restauro da monarquia sangrenta que pôs fim ao renascimento do Irão como República...
Quando o governo genocida de Israel se preparava para mais uma perigosa agressão contra o Irão, os militares iranianos avisaram que, desta vez, também as bases militares americanas seriam alvejadas em resposta.
Os militaristas de Israel ficaram sós e vulneráveis, quando o presidente americano mandou evacuar as bases dos EUA e desmentiu a existência de execuções em massa. Provavelmente, nem o Reino Unido, nem o Reino da Jordânia, estavam em condições de cobrir defensivamente a ausência da frota americana, que a nova Estratégia de Segurança Nacional de Trump deslocou para as Caraíbas e para a agressão às suas democracias independentes, de quem a primeira vítima foi a Venezuela.
Como personagem central desta tragicomédia, a presidente do parlamento europeu tinha acabado de proclamar que era agora ou nunca, à beira do extertor, que se devia jugular o governo do Irão.
Tirem vocês as conclusões, de onde nos leva o federalismo financeiro, burocrático e militarista, desta arquitetura política da UE , mutilada pelo Brexit, agora irrefutavelmente dividida entre a velha e a nova Europa, ameaçada de ocupação no Norte Ártico, ainda e sempre pela estratégia hegemónica do imperialismo dos EUA.
Separemos as águas turvas: quem nos atacar, é o nosso inimigo! O que está em causa na Ucrânia é o confronto estratégico entre esse imperialismo americano e a Federação Russa, a segurança indivisível dos dois países em guerra, e a escalada do golpe de estado de 2014 numa guerra civil contra os ucranianos de etnia russa, que se transformou em repressão de todas as etnias ucranianas multinacionais e de todos os partidos democráticos, pela presidência atual, desembocando na invasão e no confronto NATO e UE/Federação Russa.
Há um candidato a presidente da República de Portugal que se opõe à continuada militarização da União Europeia a servir uma NATO ofensiva, ao serviço dos complexos militares industriais do chamado ocidente e que pertence ao campo democrático socioliberal, mas que recusa alinhar-se com o desconjuntado arco do poder, pelo que teve de enfrentrar todas as campanhas mediáticas e a bomba suja das sondagens.
Há agora um PSD em maior estado de desagregação, visível nas disputas eleitorais,_ os dirigentes da extrema direita e dos neoliberais são lideres falhados e ambiciosos, trânfugas deste partido, um CDS no ocaso político, mas ainda útil aos comerciantes de armas, cujos candidatos não escaparão à instabilidade e dependência partidária.
Um candidato do PS, que ocupa a mesma e última trincheira do almirante e da democracia abrilista, a nossa Constituição, com a diferença que o socialismo democrático é incapaz de definir um caminho autónomo para a queda da Europa, e abandonou o projeto de uma nova Europa, construída pelo Federalismo Democrático. Pelo que o risco de este partido trair o seu candidato eleito, em matéria de subversão da Constituição, na prática política e depois no quadro parlamentar, é real
Finalmente, no campo dos partidos de esquerda, hoje todos eles reduzidos a pequenas organizações, a falta de um candidato único condenou-os à irrelevância política, mas não eleitoral, pois, concluída a propaganda do seu ideário e programa alternativo, a insistência em amealhar votos não os salvará do decaimento, mas pode custar a passagem do candidato da extrema direita à segunda volta: Gouveia e Melo, em primeiro ou António José Seguro, podem necessitar dos seus votos.

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