18.1.26

Chamar os bois pelos cornos!

 

Os candidatados do PSD e do Chega, tiveram uma derrota clara na primeira volta. Face ao crescimento da Iniciativa Liberal, este resultado significa que está aberta uma crise existencial no PSD. O Chega já lhe retirara uma ala direita. 
Quanto ao Chega, parafraseando uma frase de Mourinho, que foi mal aplicada ao desporto, mas é adecuada à política, foi o primeiro dos últimos. E, ao contrário do que afirma o seu porta-voz, é a terceira vez que perde votos, neste caso, em duas eleições sucessivas: perdeu 900.000 nas europeias, recuperou nas legislativas, mas voltou a perder 800.000 votos nas autárquicas. Nestas presidenciais, o Chega perdeu 150.000 votos, em comparação com as legislativas, mas recuperou 650.000, face às autárquicas.
Há uma outra lição histórica nestas eleições: quando os dirigentes políticos democráticos constroem uma plataforma de defesa dos direitos populares e soberanos de Portugal, mesmo com uma base mínima de entendimento_ tal foi o caso do acordo parlamentar PS/PCP/BE, contra a deriva autoritária da direita e da União Europeia, a maioria parlamentar e o governo saído das eleições é progressista, e o autoritarismo recua. Quando os lideres falham nessa visão estratégica e protetora da nação e da democracia, os eleitores deslocam o seu voto contra o perigo principal e não o contrário, como julgavam, enganados pelo canto das sereias que explicavam a queda do PCP e do BE, por essa razão, sem ouvir a vox populi. 
Mas o fascismo triunfou no passado pela repetição desses erros e não poupou, nem os democratas, nem os liberais. E hoje, a conciliação, as cedências e a cumplicidade da União Europeia com a política do governo de Trump, colocou a Europa de joelhos e deixou as forças democráticas que ainda resistem nos EUA, na ONU, nos BRICS alargados...a lutar sozinhos.
Analisemos as eleições em detalhe: Nos distritos de Setúbal, Portalegre e Beja, onde este partido cantou vitória nas legislativas, prevalece agora o candidato socialista. Conservou Faro, mas com menos 8.000 votos e ganhou na Madeira, claramente á custa da queda do PSD. Pior na emigração, com uma vitória fátua: cai de 92.000 para 19.000 votos, num universo de 1.432.000 eleitores, que envergonha os partidos que já governaram o país, pois tal significa a negação do direito de voto à diáspora, quando está disponível a segurança do voto eletrónico.
Longe de mim, subestimar a candidatura da extrema-direita: espero que as lideranças de todos os partidos e candidaturas democráticas, da esquerda e da direita, assumam a responsabilidade pública e política de dar indicação de voto em António José Seguro e que nenhum dos seus eleitores, se tal não acontecer, deixe de fazer essa opção. Marques Mendes, já lavou as mãos, como Pilatos. E o PSD? O seu líder, abdicou de combater a influência do Chega e pensa sobretudo em jogar com ele, nos corredores esconsos do poder,
Saberemos então se o PCP e o BE, contribuem de facto para defender a última trincheira da democracia abrilista, ou não apela ao voto em Segro. O Livre já o fez.
Saberemos ainda, se a Iniciativa Liberal reafirma a sua oposição à política do Chega ou, como já fez o PSD, apaga essa linha vermelha quando procura apenas os seus interesses eleitorais ( Cotrim de Figueiredo, deu o dito por não dito. E agora?).
A derrota de Gouveia de Melo, antecipadamente, procurei explicá-la no artigo anterior, escrito antes do escrutínio.. O seu programa não chegou sequer à comunicação social, e sobretudo às classes populares e não foi perfilhado pela nossa intelectualidade e as nossas elites: mas tão pouco perdeu atualidade, antes conserva o seu valor estratégico, sobretudo face à violência crescente do imperialismo do governo de Tramp e a queda da União Europeia, que é hoje uma Europa assente no Federalismo Burocrático e Monetário, subsidiário de uma NATO instrumentalizada desde sempre pelos EUA, uma europa irremediavelmente mutilada pelo Brexit e dividida entre a velha e a nova europa, controlada e militarizada pelos complexo industrial-militar transatlântico.
Votar em Seguro é um imperativo e ético, pela defesa da Constituição abrilista e, especialmente, do seu artigo 288º, que é a última trincheira, trazer para o campo democrático centenas de milhar de eleitores do Chega, através do esclarecimento político, que expressam nesse voto equivocado a sua revolta contra os males da nação e a pátria madrasta, desgovernada pelo decadente "arco do poder", dominada pelos burocratas de Bruxelas, e os seus ,mandantes, sem pátria.

Nota adicional, porque é um imperativo ético apoiar Seguro: O candidato do Chega chegou mais tarde à sua sede de campanha, para dizer, perante a mira das câmaras de TV, que vinha da missa. Obviamente, podia ter ido a várias missas de domingo, antes e chegar a horas, pelo que se tratou de chegar tarde intencionalmente, para explorar o sentimento cristão dos eleitores.
Veio-me à memória o assassinato de um Padre cujo lema era Servir o Povo e não Servir-se dele, já em plena democracia e a pergunta inquieta, onde estão os seus mandantes?
E logo depois, da minha infância cristã, os ensinamentos do catequista que dizia que o Senhor fulmina os ímpios. Nada de mal desejo á saúde do candidato, que, como todos os seus semelhantes (incluindo os emigrantes de todas as pátrias de origem), tem uma vida que é única e sagrada, uma família, amigos, a que tem direito e, pelos votos, uma democracia que financia em mais de 5 milhões de euros o seu partido, que a ameaça (à democracia)! Mas, espero, que a indignação divina do criador, perante o novo mundo de genocídio e barbárie dos poderosos, se vire também para este país de pecadores e ilumine, piedosamente, a consciência de todos os seus filhos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Visto.