"...Um candidato do PS, que ocupa a mesma trincheira do almirante e última da democracia abrilista, a defesa da nossa Constituição, com a diferença que o socialismo democrático é incapaz de definir um caminho autónomo para a queda da Europa, e abandonou o projeto de uma nova Europa, construída pelo Federalismo Democrático. Pelo que o risco de este partido trair o seu candidato eleito, em matéria de subversão da Constituição, na prática política e depois no quadro parlamentar, é real."
Há cinco dias que cessaram no Irão os protestos contra a carestia, que tem como causa principal as sanções aplicadas à sua economia pelos EUA e aliados. Tal como os motins violentos que foram alimentados por agentes de Israel, provocando um número indeterminado de mortos, mas que incluem membros das forças de segurança abatidos com armas de fogo.
Entretanto, nas nossas televisões continuam a ser noticiadas mortes de centenas, ou milhares, ou mesmo dezenas de milhar de manifestantes, citando obscuras fontes de associações de direitos humanos, ilustradas por vídeos e depoimentos mal definidos ou mesmo imagens da televisão iraniana, que denunciam atos violentos e mostram as suas vítimas, manipulados a ocidente como se fossem o resultado da repressão.
Outras manifestações gigantes encheram as ruas e praças do Irão, contra a ingerência estrangeira, queimando panfletos onde a imagem do filho do Xá apela ao restauro da monarquia sangrenta que pôs fim ao renascimento do Irão como República...
Quando o governo genocida de Israel se preparava para mais uma perigosa agressão contra o Irão, os militares iranianos avisaram que, desta vez, também as bases militares americanas seriam alvejadas em resposta.
Os militaristas de Israel ficaram sós e vulneráveis, quando o presidente americano mandou evacuar as bases dos EUA e desmentiu a existência de execuções em massa. Provavelmente, nem o Reino Unido, nem o Reino da Jordânia, estavam em condições de cobrir defensivamente a ausência da frota americana, que a nova Estratégia de Segurança Nacional de Trump deslocou para as Caraíbas e para a agressão às suas democracias independentes, de quem a primeira vítima foi a Venezuela.
Como personagem central desta tragicomédia, a presidente do parlamento europeu tinha acabado de proclamar que era agora ou nunca, à beira do extertor, que se devia jugular o governo do Irão.
Tirem vocês as conclusões, de onde nos leva o federalismo financeiro, burocrático e militarista, desta arquitetura política da UE , mutilada pelo Brexit, agora irrefutavelmente dividida entre a velha e a nova Europa, ameaçada de ocupação no Norte Ártico, ainda e sempre pela estratégia hegemónica do imperialismo dos EUA.
Separemos as águas turvas: quem nos atacar, é o nosso inimigo! O que está em causa na Ucrânia é o confronto estratégico entre esse imperialismo americano e a Federação Russa, a segurança indivisível dos dois países em guerra, e a escalada do golpe de estado de 2014 numa guerra civil contra os ucranianos de etnia russa, que se transformou em repressão de todas as etnias ucranianas multinacionais e de todos os partidos democráticos, pela presidência atual, desembocando na invasão e no confronto NATO e UE/Federação Russa.
Há um candidato a presidente da República de Portugal que se opõe à continuada militarização da União Europeia a servir uma NATO ofensiva, ao serviço dos complexos militares industriais do chamado ocidente e que pertence ao campo democrático socioliberal, mas que recusa alinhar-se com o desconjuntado arco do poder, pelo que teve de enfrentrar todas as campanhas mediáticas e a bomba suja das sondagens.
Há agora um PSD em maior estado de desagregação, visível nas disputas eleitorais,_ os dirigentes da extrema direita e dos neoliberais são lideres falhados e ambiciosos, trânfugas deste partido, um CDS no ocaso político, mas ainda útil aos comerciantes de armas, cujos candidatos não escaparão à instabilidade e dependência partidária.
Um candidato do PS, que ocupa a mesma e última trincheira do almirante e da democracia abrilista, a nossa Constituição, com a diferença que o socialismo democrático é incapaz de definir um caminho autónomo para a queda da Europa, e abandonou o projeto de uma nova Europa, construída pelo Federalismo Democrático. Pelo que o risco de este partido trair o seu candidato eleito, em matéria de subversão da Constituição, na prática política e depois no quadro parlamentar, é real
Finalmente, no campo dos partidos de esquerda, hoje todos eles reduzidos a pequenas organizações, a falta de um candidato único condenou-os à irrelevância política, mas não eleitoral, pois, concluída a propaganda do seu ideário e programa alternativo, a insistência em amealhar votos não os salvará do decaimento, mas pode custar a passagem do candidato da extrema direita à segunda volta: Gouveia e Melo, em primeiro ou António José Seguro, podem necessitar dos seus votos.

Sem comentários:
Enviar um comentário