Gouveia e Melo era o presidente desejado pelos portugueses, segundo as sondagens. E o único candidato capaz de trazer para o campo democrático os eleitores do Chega que votam por revolta: este partido perdeu 900.000 votos nas europeias e 800.000 nas autárquicas.
As sondagens mais próximas da data das eleições foram-no empurrando para fora do pódio, contradizendo-se e desacreditando-se, pois 20% de indecisos e mais de 50% que afirmam poder ainda mudar o voto e a ausência da percentagem de abstencionistas, fazem dos lugares no pódio uma lotaria.
A acontecer, não passar à segunda volta, tal significa que foram as sondagens a condicionar a mudança no voto popular. Não porque o Almirante mudasse de programa ou discurso, mas porque a comunicação e as redes sociais omitiram. mutilaram e deformaram o seu conteúdo, pegando numa palavra aqui, outra declaração acolá e servindo-se de um coro de comentadores, para quem a política é um mero jogo de farsantes e o programa presidencial não conta.
Ora, Gouveia e Melo não cometeu na campanha nenhum erro grave, não quando definiu a profissão de lobista de um e citou o desfavor de Soares por outro (fraco argumento e falho de cordialidade), nem renegou o seu programa, pouco conhecido e divulgado.
Se a defesa da constituição, com o artigo 288º que traça os seus limites de revisão, última trincheira da democracia abrilista, foi então jurada por todos os candidatos democráticos, a ele se deve.
Em consequência, se passar à segunda volta, é porque por ínvíos caminhos, que se diz serem os do Senhor, o seu programa chegou ao povo/nação. Se não conseguir, e um dos candidatos democratas for o vencedor, deve-lhe um agradecimento por escavar essa trincheira e tem o dever de cumprir tal missão.
Na 2ª volta, Gouveia de Melo ainda é o único candidato democrático que mobiliza votos na direita e na extrema-direita, no caso de confronto com o seu candidato. Porque, insisto, o Chega ainda não é o dono dos votos dos seus eleitores.
Recordo a sistemática que fiz, do seu programa
_ Não confundam com as sínteses noticiosas, que não raras vezem omitiram ou truncaram estas posições, nem com a imagem que uma parte do seu círculo de apoio eleitoral nos transmite
O que o Almirante Gouveia e Melo oferece a todo o povo português ( incluindo a esquerda), com a sua candidatura independente
_ A defesa e cumprimento da atual Constituição, contra o projecto da extrema-direita, da sua subversão em favor do presidencialismo autoritário, que foi teorizado pelo governo do PSD/CDS de Passos Coelho e hoje é personificado pela liderança do Chega.
_ A derrota do candidato do Chega e a passagem para o campo democrático de centenas de milhar dos seus anteriores votantes, que a recente sondagem (U. Católica) indiciou: Numa segunda volta, contra Gouveia e Melo, esse candidato obteria 25%, enquanto se o adversário fosse Marques Mendes, subiria a 26% e no caso de António José Seguro, a 29%.
_ A última trincheira legal contra a subversão pela prática governativa dos direitos democráticos constitucionais, que está a dar novos passos com o bloqueio da regionalização, a política anti-imigração, a mutilação dos direitos laborais e a subordinação de Portugal à militarização da União Europeia e ao diktat do governo de Trump.
_ A defesa da autonomia de Portugal no quadro da NATO e da UE, posicionando -se nesse contexto pelo primado que o Presidente da República deve conceder à defesa da soberania do seu território e espaço geoestratégico_ A soberania sobre a zona marítima exclusiva e o espaço atlântico na Rota dos países de língua portuguesa até o Índico Sul de Moçambique e a recusa de participar em ações ofensivas da NATO
_ O respeito pelo direito internacional e da plena soberania do país, expressa pela posição do almirante perante o bombardeamento de drones sobre o navio de bandeira portuguesa da flotilha de apoio a Gaza, quando afirmou dever o governo da República ter tomado posição de protesto, defesa e repúdio.
Do retorno de Moçambique e da imigração no Brasil, a Chefe do Estado Maior da Armada
_ A experiência de diplomacia e cooperação militar e política, e das questões da geopolítica internacional e das ciências militares, no quadro internacional, face à iliteracia dominante entre as nossas elites politicas e empresariais, nestas matérias.
_ Uma estratégia de reunificação, progresso comum e correção das desigualdades, entre a comunidade nacional e a nossa emigração, o Portugal urbano e o Portugal rural, através, nomeadamente, do voto eletrónico disponível para toda a diáspora nacional e de medidas contra o abandono do mundo rural.
_ Uma candidatura potencialmente capaz de derrotar a candidatura de extrema-direita à primeira volta, através da concentração dos votos dos eleitores democratas liberais, social-democratas, socialistas e comunistas, consolidando a perda de 800.00 votos pelo partido Chega nas últimas autárquicas, em favor do campo democrático.
Concentrar o voto na defesa da Constituição
Fizeram bem, os partidos das denominadas esquerda e direita democrática, em apresentar as suas candidaturas partidárias? Menos mal, se a propaganda eleitoral servir para elevar a consciência política dos cidadãos portugueses, divulgando simultaneamente os seus programas e ideário.
Levarão as suas candidaturas até ao ato eleitoral, ou concentrarão o seu apelo de voto final contra a candidatura de extrema-direita? Se não o fizeram os lideres, que o façam os seus eleitores, incluindo os 900.000 que nas eleições para o parlamento europeu e os 800.000 nas autárquicas, recusaram alimentar de novo os quatro cavalos da guerra civil de baixa intensidade com o seu voto no Chega, que cavalgam diretos à destruição da unidade e solidariedade entre os países de língua portuguesa, das nossas diásporas partilhadas e do futuro comum da Humanidade, então liberta da catástrofe ambiental e dos horrores da guerra moderna.

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