3.10.26

Sobre a destruição moral do estado de Israel...

...e do património de solidariedade para com as vítimas do Holocausto

Quando é declarado o "estado de sítio" a constituição de Israel prescreve que a democracia é suspensa e todo o poder do estado se concentra no chefe do governo e no ministro da defesa, no caso um líder da extrema-direita. Netanyahu, na iminência de ser preso por corrupção, negociava então a possibilidade de trocar a cadeia pela pena de suspensão dos seus direitos cívicos durante alguns anos. Assim se manteve no poder, como ditador e genocida.

O Hamas recorreu ao ataque porque nessa altura o governo de Israel começara a pôr em prática a construção de uma nova  linha de colonatos que passava por Jerusalém e ia criar 3 Gazas, dividindo para sempre a Cisjordânia ocupada e empurrando os palestinianos para o exílio na Jordânia e no Egito. Esta proposta foi feita publicamente no começo da invasão genocida e rejeitada pelos dois países.

Nos combates que se seguiram, a eficácia militar do Hamas ultrapassou as previsões do governo, pois cinco quartéis, esquadras da polícia e os guardas armados dos colonatos, que cercavam Gaza, foram tomados e vencidos, não sem os seus militantes deixarem no terreno duzentos mortos, que foram posteriormente descontados das baixas de Israel, de 1400 para 1200.

Um número ainda indeterminado de mortos foram abatidos pelas forças israelitas, sobretudo na área do festival de música, varrida pelos seus helicópteros de combate em cumprimento da doutrina Aníbal, que determina ser preferível correr o risco de assassinar um refém do que deixar capturá-lo.

É óbvio que os dirigentes do Hamas não acreditavam que a resposta de Israel fosse tão bárbara e os dirigentes mundiais tão coniventes com o genocídio e o governo de Israel levasse a sua impiedade até ao ponto de bombardear os seus próprios cidadãos em cativeiro, já que nunca conseguiu localizá-los.

A estratégia de limpeza ética e do grande Israel, que inclui territórios da Síria e do Líbano, avançou em paralelo com a expansão dos colonatos nos territórios palestinianos, de modo a inviabilizar a solução política dos dois estados, uma estratégia colonialista e imperialista só possível com o apoio dos governos (democrático e republicano) dos EUA, a cumplicidade da União Europeia e o fornecimento de armas e munições provenientes dos EUA, da Alemanha, do Reino Unido e de outras empresas ocidentais.

Dessa estratégia fez parte o derrube do governo sírio, entregue a um grupo terrorista islâmico e a guerra contra o Irão, que, no entanto, se transformou numa derrota política e militar para os EUA e Israel, no plano estratégico, e numa crise que já fraturou a economia mundial e a segurança do Médio Oriente, assente na hegemonia dos EUA e do seu proxy, Israel.  No plano político, o governo israelita transformou o país num estado terrorista, isolado do mundo democrático e destruiu o património de solidariedade para com a nação judaica vítima do Holocausto. Um estado pária que vive à margem das Nações Unidas e do direito internacional, armado com ogivas nucleares que estão fora do controle das agências internacionais, fabricadas com a tecnologia ocidental que ilegalmente lhe foi vendida.

Um estado que não nasceu como uma democracia, pois a sua constituição afirma que é um "um estado judaico e democrático", como era a da África do Sul, um estado de apartheid para os mais de 20% da sua população árabe.

Perante as sondagens que indicam a impossibilidade de constituir governo sem o apoio dos deputados dos partidos árabes, foram proibidos de participar nas próximas eleições.

 

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