...e do património de solidariedade para com as vítimas do Holocausto
Nos combates que se seguiram, a eficácia militar do Hamas
ultrapassou as previsões do governo, pois cinco quartéis, esquadras da polícia
e os guardas armados dos colonatos, que cercavam Gaza, foram tomados e
vencidos, não sem os seus militantes deixarem no terreno duzentos mortos, que
foram posteriormente descontados das baixas de Israel, de 1400 para 1200.
Um número ainda indeterminado de mortos foram abatidos pelas
forças israelitas, sobretudo na área do festival de música, varrida pelos seus
helicópteros de combate em cumprimento da doutrina Aníbal, que determina ser
preferível correr o risco de assassinar um refém do que deixar capturá-lo.
É óbvio que os dirigentes do Hamas não acreditavam que a
resposta de Israel fosse tão bárbara e os dirigentes mundiais tão coniventes
com o genocídio e o governo de Israel levasse a sua impiedade até ao ponto de
bombardear os seus próprios cidadãos em cativeiro, já que nunca conseguiu
localizá-los.
A estratégia de limpeza ética e do grande Israel, que inclui
territórios da Síria e do Líbano, avançou em paralelo com a expansão dos
colonatos nos territórios palestinianos, de modo a inviabilizar a solução
política dos dois estados, uma estratégia colonialista e imperialista só
possível com o apoio dos governos (democrático e republicano) dos EUA, a
cumplicidade da União Europeia e o fornecimento de armas e munições
provenientes dos EUA, da Alemanha, do Reino Unido e de outras empresas
ocidentais.
Dessa estratégia fez parte o derrube do governo sírio,
entregue a um grupo terrorista islâmico e a guerra contra o Irão, que, no
entanto, se transformou numa derrota política e militar para os EUA e Israel,
no plano estratégico, e numa crise que já fraturou a economia mundial e a
segurança do Médio Oriente, assente na hegemonia dos EUA e do seu proxy,
Israel. No plano político, o governo
israelita transformou o país num estado terrorista, isolado do mundo
democrático e destruiu o património de solidariedade para com a nação judaica
vítima do Holocausto. Um estado pária que vive à margem das Nações Unidas e do
direito internacional, armado com ogivas nucleares que estão fora do controle
das agências internacionais, fabricadas com a tecnologia ocidental que
ilegalmente lhe foi vendida.
Um estado que não nasceu como uma democracia, pois a sua
constituição afirma que é um "um estado judaico e democrático", como
era a da África do Sul, um estado de apartheid para os mais de 20% da sua
população árabe.
Perante as sondagens que indicam a impossibilidade de
constituir governo sem o apoio dos deputados dos partidos árabes, foram
proibidos de participar nas próximas eleições.

Sem comentários:
Enviar um comentário