A natureza capitalista
e imperialista dos governos
dos EUA e da
Federação Russa_ Disputa e Partilha de Zonas de Influência
Os EUA e a Federação Russa são dois países capitalistas que concorrem,
mas também partilham o mundo dos negócios e dos mercados/países/áreas de
influência. As mudanças de rota dos
petroleiros russos que se dirigiam a Cuba, são o reflexo das contradições que
atravessam as negociações do governo de Trump e do governo de Putin, que
parecem tender para a entrega de Cuba aos EUA e o reconhecimento do Donbass como território reintegrado na Federação Rússia, ora se afastam
desse compromisso, por força de movimentações populares e da opinião pública,
mas também da evolução internacional para um mundo multipolar, muito graças à intervenção
da República Popular da China, que não procura o hegemonismo e acrescenta aos
cinco pilares da coexistência pacífica a constelação de iniciativa para um
futuro comum da humanidade.
A diplomacia chinesa construiu o acordo de paz e cooperação
entre o Irão e a Arábia Saudita, a resolução pacífica da guerra na Ucrânia, que
o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Kuleba, elogiou, para logo ser
demitido e o governo da Federação Russa aceitou como base negocial, reuniu em
Pequim todos os grupos palestinianos, com o Hamas a reconhecer a autoridade
palestiniana da OLEP, para tudo se perder na agressão dos EUA contra o Irã, a
Palestina e o Líbano_ fomentada pelo governo genocida de Israel e a monarquia feudal
da Arábia Saudita, enquanto os novos militaristas europeus continuavam por
contra própria a alimentar os negócios transatlânticos que o secretário-geral
da NATO , a Comissão Europeia e o Conselho da Europa, alimentam, em nome da
defesa da martirizada Ucrânia e do fantasma da futura agressão russa à Europa.
A paragem da guerra, nas fronteiras atuais, não significa legitimar a invasão russa nem
esconder o golpe de estado de 2014, fomentado pelo governo dos EUA com a
cumplicidade assumida de Macron e Merkel, seguido pela repressão dos apoiantes do
presidente eleito em toda a multiétnica Ucrânia, que encontrou nas províncias
do leste deste país, Crimeia, Luganks e Donetz, uma resistência armada dos seus
milicianos, maioritariamente ucranianos de etnia russa, mas também grega,
jugoslava…transformada em guerra civil de alta intensidade até aos acordos de Minsk (2014) e depois de
baixa intensidade, até à invasão da Federação Russa (2021).
Este episódio bélico , é também o resultado da alargamento
da NATO para Leste, e inscreve-se nos outros dois pilares da estratégia de
segurança e defesa nacional dos EUA (o primeiro, é a doutrina Monroe), elaborados
já no início do século XX, que estabeleceram como fundamental o domínio da
Eurásia (a Heartland, de Mackinder), sob pena do emergir de novas potências
rivais, a Alemanha industrializada do
Kaiser e a imensamente rica Rússia do Império czarista e lhe associaram o
controle dos mares e das costas (Rimland, de Spykman) que cercam essa espécie
de ilha que é o coração da Eurásia.
Dos pivôs
Geopolíticos ao Pesadelo Estratégico, dos EUA
Num corolário mais recente destas teses, a doutrina Brzezinski
(presidência de Jimmy Carter), preconizava que a estratégia da de controle da
orla marítima (Rimland) proporcionaria o controle do continente africano, onde
a norte se situavam as riquíssimas reservas de carbonetos e minerais. Ele
identificou zonas críticas na periferia da Eurásia (como a Europa Ocidental, o
Médio Oriente e o Leste Asiático) enquanto peças que os EUA devem manter sob a
sua esfera de influência ou aliança (através da NATO e de parcerias no
Pacífico) para conter potências rivais.
Os "Pivôs Geopolíticos": Ele criou o conceito de
países que funcionam como dobradiças ou portas de entrada para o acesso ao
interior do continente. Para Brzezinski, países como a Ucrânia, o Azerbaijão, a
Turquia e o Irão são vitais e pertence-lhe a visão estratégica que afirma "sem
a Ucrânia, a Rússia deixa de ser um império eurasiático".
O Pesadelo Geoestratégico: Segundo Brzezinski, a maior
ameaça para a estratégia norte-americana era a criação de uma "coligação anti
hegemónica" que unisse o Heartland e partes do Rimland. Ele alertou
especificamente para o perigo de uma grande aliança entre a Rússia (o núcleo do
Heartland) e a China (uma gigante do Rimland com projeção para o Heartland),
potencialmente unidas ao Irão.
Eis porque a NATO se expandiu
no leste europeu até à Ucrânia, contrariando as promessas feitas aos lideres
russos que liquidaram a URSS, eis porque o exército americano veio combater na
Europa as duas guerras mundiais, e se lançou na aventura militar do Sudão, (rico em ouro, minerais e terra fértil), retomada
hoje através dos Emiratos Árabes Unidos, o seu proxy e da invasão Afeganistão (
rico em terras raras, segundo o Pentágono), eis porque derrubou e assassinou os
presidentes do Irão, entronizando a ditadura feudal do Xá, do Iraque e da Líbia, porque ajudou a militarizar e sufocar a breve Primavera Árabe, exauriu o
governo da Síria e reabilitou um terrorista islâmico como seu presidente...e ainda,
porque os EUA inventaram o conceito de “ocidente alargado”, para poderem instalara
6ª esquadra em Taiwan, cercar a China com bases militares, apoiar o
renascimento do militarismo Japonês e Alemão, e fornecer à Austrália
equipamentos nucleares, enfim, armar Israel com um arsenal atómico, que a
Associação Internacional de Energia Atómica nunca pode controlar.
Mas porquê Cuba é a próxima vítima da agressão militar dos
EUA?
A China tem vindo a apoiar significativamente a transição
energética de Cuba, posicionando-se como um parceiro estratégico fundamental na
modernização da infraestrutura elétrica da ilha. A China tem doado parques
fotovoltaicos. Em novembro de 2025, um parque de 5 MW foi inaugurado em
Guanajay, no município de Artemisa, parte de uma série de projetos conectados à
rede elétrica nacional Esse apoio intensificou-se no início de 2026, com Pequim
prometendo ajuda contínua, incluindo recursos financeiros e técnicos, contra a
crise energética agravada na ilha. : A China comprometeu-se a apoiar Cuba na
construção mais de 92 parques solares até 2028. Ajuda de Emergência: Em
fevereiro de 2026, Pequim anunciou o envio de 80 milhões de dólares (cerca de
R$ 416 milhões) em fundos de emergência para ajudar Cuba a enfrentar a grave
crise energética provocada pela escassez de combustível. Diversificação da Rede
Elétrica e transferência de tecnologias: Além da energia solar, foi projetado o maior parque eólico da ilha.
Muitos dos que celebram o sofrimento da nação cubana,
imposto pelo bárbaro boicote dos EUA, talvez não saibam que 600.000
profissionais de saúde cubanos combateram ao longo dos anos em África, como na
Europa e na América Latina, em todos os continentes, as piores pandemias e catástrofes,
incluindo o COVID 19, onde estiveram em 42 países e regiões (e, pela primeira vez,
na Europa, Itália e Andorra), muitas vezes em missões humanitárias sem
contrapartidas, merecendo o reconhecimento da ONU, da OMS e do próprio governo
de Obama_ comprove o leitor estes factos recorrendo a essas fontes, e tome
consciência que não há alternativa para a sua perda!
No Brasil, havia 10.000 médicos e outros profissionais da
saúde na Amazônia e noutras regiões do interior, com base num acordo governamental
com Cuba que vigorava desde os anos 60 e o governo de Bolsonaro desrespeitou, forçando
o seu regresso .. Um terço não regressou e fixou-se nas cidades mais
desenvolvidas do Brasil, mas sem autorização para exercer medicina. O COVID
devastou a Amazônia e propagou a mortandade por todo o Brasil, com mais de
700.000 vítimas.
Em 2021, dois documentos estratégicos foram apresentados ao
mundo: A Iniciativa Global da China, que se orientava para a recuperação dos
danos provocados pela pandemia, através de um reforço do livre comércio e da
transição ecológica da economia, com vista a atingir os objetivos da Agenda das
Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e o documento do Departamento
de Segurança Interna (DHS) dos EUA para
combater “a ameaça chinesa” interna e internacional. DHS Strategic Action Plan to Counter the Threat
Posed by the People’s Republic of China. A primeira vítima desta política
foi a Iniciativa Global de Investimento
que abria as portas do mercado chinês ao investimento da EU, celebrado pela
Comissão Europeia e boicotado pelos partidos pró-americanos do parlamento
europeu, que apressou a recessão da Alemanha e o emergir de uma nova crise económica
europeia, com inflação alta, carestia, juros elevados, preços especulativos na
habitação.
No reino das
baratas tontas: A Comissão Europeia e o Conselho da Europa
O General francês Michel Yakovleff comparou a adesão à guerra de Trump contra o
Irão a "comprar bilhetes baratos para o Titanic" depois de este já
ter batido no icebergue. Yakovleff não é
um comentador qualquer. É um general de três estrelas, antigo comandante da Legião
Estrangeira Francesa, que ocupou cargos de elevada responsabilidade na própria
NATO. Por isso, quando questionado sobre os apelos desesperados de Trump para
que a Europa se junte à sua catástrofe no Irão, a sua resposta teve um peso
considerável.
Primeiro, Trump não compreende como uma aliança militar
realmente deve funcionar. Não se pode lançar uma campanha de bombardeamento
unilateral e depois convidar os aliados para executarem uma operação separada
sob o seu comando. Não é assim que as alianças funcionam. Se Trump quer a NATO
envolvida, a NATO assume o comando. Uma operação, uma bandeira, uma cadeia de
comando. "Não creio que ele tenha percebido isso", disse Yakovleff.
Citemos aqui, o Almirante Gouveia e Melo, perante os
discursos inflamados e contraditórios dos líderes europeus, que ameaçavam
enviar para a Ucrânia destacamentos dos seus militares para garantir a
segurança futura deste país, ou até na sequência de um precário cessar-fogo, que
recordou a natureza defensiva dos estatutos desta aliança da guerra fria, pelo
que não havia nenhum imperativo para enviar soldados portugueses para aquele
país.
Segundo, ninguém sabe quais são os objetivos estratégicos
reais. Além de forçar a abertura do Estreito de Ormuz, qual é o desfecho
final? Mudança de regime? Contenção? Um acordo negociado? Trump não disse.
Aparentemente não consegue dizer, porque ele próprio não sabe.
Terceiro_ não se pode coordenar uma campanha militar
multinacional através de tweets que mudam a cada dois minutos. Se as nações
aliadas vão colocar os seus soldados em perigo, precisam de objetivos
explícitos e escritos por parte dos Estados Unidos. Como disse Yakovleff:
"Será necessário que o próprio Trump saiba o que quer".
Quarto, há a questão fundamental da confiança. Trump
já abandonou aliados antes e todos sabem que o faria novamente, sem hesitação,
no momento em que fosse politicamente útil. Os Curdos sabem-no. Os Afegãos
sabem-no. A Europa sabe-o. "Ele deixar-nos-ia ficar mal sempre que lhe
conviesse", afirmou o general. Por que razão haveria qualquer nação de
colocar tropas em risco por um líder com esse historial?
Quinto, Yakovleff citou um princípio que disse ter
aprendido no U.S. Army War College: "Não se reforça o fracasso. Segue-se
em frente. Procura-se outra coisa".
Arriscando as suas promessas eleitorais Trump ( e o primeiro-ministro
do governo genocida de Israel) tentou lavar para a guerra os seus aliados: a resposta global tem sido igualmente
condenatória. O Japão disse não. A Austrália disse não. O Reino Unido disse
não. A União Europeia disse não. Entretanto, os mísseis e drones iranianos
tornaram o Estreito de Ormuz tão perigoso que as companhias de seguros não
cobrem os petroleiros que por lá passam.
Vinte por cento do petróleo mundial flui normalmente por
aquele estreito. Os preços do petróleo estão a disparar e os consumidores em
todo o lado estão a senti-lo., nomeadamente nos EUA. Ele escalou o conflito. E,
no processo, isolou a América dos seus aliados.
O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS),
Tedros Adhanom Ghebreyesus, que cedera às pressões americanas para lançar a
dúvida sobre a origem do COVID!9, condenou duramente os ataques dos EUA e de
Israel contra locais civis no Irão e no Líbano (parte da estratégia do Grande
Israel), classificando-os abertamente como "crimes de guerra" Escrevendo
no X, Tedros sublinhou que "bombardear um hospital ou uma escola não é um
'erro de cálculo'" e que "matar um paramédico não é 'dano colateral'.
Deixar civis passar fome não é uma 'tática de negociação'. São crimes de
guerra. Ponto final."
A sua declaração surge quando o Irão reporta mais de 2.000
mártires e mais de 10.000 feridos na agressão americano-israelita, incluindo centenas de
crianças e mulheres, enquanto hospitais, escolas e instalações do Crescente
Vermelho foram destruídos. E no Líbano as baixas civis se aproximam destes
números, tal como o grau de destruição das infraestruturas civis, à semelhança
trágica de Gaza.
Pode uma democracia continuar a sê-lo quando fomenta o
genocídio, o terrorismo de estado, o assassinato e a o sequestro dos líderes de
outros países, a violação deliberada do direito internacional, o retorno aos
combustíveis fósseis e o desprezo pela crise e as tragédias ambientais, a
guerra económica e militar sem limites?
E podem ser chamados democráticos os países que se alinham
com esta política?
Uma estratégia de guerra que, em último objetivo, visa
monopolizar o comércio do petróleo para subjugar a China, o Japão, a Coreia, a
União Europeia...começa a indiciar uma derrota estratégica, aqui no domínio
financeiro, com a moeda chinesa a destronar o dólar. Chegámos a um ponto de viragem na ordem
financeira global: um petroleiro indiano recebeu permissão de passagem pelo
Estreito de Ormuz após liquidar suas taxas em Yuan chinês. Este evento marca um
afastamento significativo do sistema do "petrodólar", sinalizando uma
nova era onde o dólar americano já não é o único guardião do comércio de
energia.
Portugal,
neutralidade ou cumplicidade envergonhada nas guerras dos EUA e da União
Europeia?
O CEO da empresa portuguesa que
fabrica drones para o cliente ucraniano teve honras de entrevista televisiva e
primeiras páginas. Ficámos a saber que, "por razões morais", a
empresa em causa participa na guerra ao lado do governo atual da Ucrânia e esse
estatuto moral rende 85 milhões de Euros! Não sabemos qual o preço em vidas que
o lado russo paga por tal serviço. Mas seguramente, por causa deste facto
proclamado pelo mais alto representante da empresa, Portugal e não só a dita,
tem agora um pontinho vermelho no mapa da estratégia de retaliação da maior
potência nuclear do mundo. É este mercado do sangue, que deve ser o nosso alvo
de inovação e progresso tecnológico? Não nos basta a imensidão do território
marítimo que devemos vigiar e preservar, e a defesa das nossas rotas marítimas de
comércio com os países que falam português, os países irmãos e a Europa?
Quando o governo de Israel bombardeou
uma embarcação da flotilha que se dirigia a Gaza, o governo da República não
protestou sequer (honra, ao almirante Gouveia e Melo, que o exigiu), e logo
depois deixou-se enganar com as falsas promessas que os cidadãos portugueses
não seriam seviciados. Agora, permite que os aviões de reabastecimento dos EUA
e os seus drones assassinos não só cruzem o nosso espaço aéreo, como usem a
base das lajes como logística da agressão contra o Irão. O Ministro da Guerra
dos EUA, agradeceu o quê? A Itália, a França, o Reino Unido, a Espanha…fizeram
o contrário! A NATO é uma organização de defesa e a sua utilização como ponta
de lança do imperialismo americano, uma violação do seu estatuto!
Portugal,
”o país do meio”, o Hub Global da Era da
Comunicação Cibernética
A neutralidade de Portugal no
conflito entre as potências capitalistas, não é apenas do interesse nacional,
mas também da própria Europa, da África e da América...e do mundo!
Portugal ocupa uma posição
estratégica fundamental na rede global de comunicações, funcionando como um
verdadeiro porto digital que liga a Europa ao resto do
mundo. Cerca de 99% do tráfego internacional de dados (internet, chamadas,
transações financeiras) passa por estes cabos submarinos, tornando-os
infraestruturas críticas de segurança nacional.
Portugal possui quatro estações
internacionais de amarração principais e várias estações nacionais que ligam o
continente e as ilhas: Carcavelos (Cascais): Uma das estações mais importantes
e históricas. Sesimbra: Ponto de chegada estratégico para vários sistemas
internacionais.Sines: Um polo em crescimento, recentemente escolhido pela
Google para o cabo Equiano e o futuro cabo Nuvem. Seixal: Outro ponto relevante
na rede de conectividade. Açores e Madeira: Pontos essenciais para a
resiliência da rede e soberania digital, com estações em Porto Santo e várias
ilhas dos Açores.
Cabos em Destaque: Africa: Um dos
maiores sistemas de cabos do mundo, amarrado em Carcavelos, que circunda o
continente africano. Equiano (Google): Liga Portugal à África do Sul, com
amarração em Sines. Nuvem (Google): Projeto em curso que liga Portugal (Sines e
Açores) às Bermudas e aos Estados Unidos. EllaLink: A primeira ligação direta
de alta capacidade entre a Europa (Sines) e a América do Sul (Brasil).
Por que são importantes para
Portugal?
Hub Global de Dados: A localização
geográfica privilegiada permite que Portugal seja o único país com ligações
diretas por cabo a quase todos os continentes (exceto Antártida).
Atração de Investimento: A
existência destes cabos atrai gigantes tecnológicos (como Google, Meta e
Vodafone) e fomenta a construção de Data Centers gigantescos (como o Sines
4.0), criando um ecossistema de "economia de dados".
Soberania e Segurança: Garantem a
independência digital da Europa e oferecem redundância em caso de falhas
noutras rotas. Os novos SMART cables (como o anel CAM que liga o Continente,
Açores e Madeira) também permitem a monitorização oceanográfica e alertas de
sismos em tempo real.
Resiliência Energética: A integração
com fontes de energia renovável a baixo custo em Portugal torna o país um
destino ideal para o armazenamento e processamento de dados.



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